| A História do Japão é muito complexa, com muitos mitos e lendas onde o povo japonês convive com muitos Deuses. Toda sua história é baseada no xintoísmo, religião própria do Japão e que explica a origem divina no Arquipélago Nipônico e seu povo.
O Japão é um país que contrasta o moderno e antigo em sua cultura, apesar do avanço da tecnologia e das relações sociais, notamos que os mitos e as tradições antigas ainda estão muito presentes no imaginário do povo japonês. Isso se dá pela preservação da cultura, que continua a ser transmitida por gerações através de livros, mangas e animes, apresentações teatrais e até histórias que os pais contam aos seus filhos.
A mitologia japonesa está muito ligada a elementos da natureza, obviamente pela dependência que povos primitivos tinham da mesma. Um bom exemplo a ser citado é o da valorização das montanhas no Japão, elas são consideradas divinas. As montanhas são importantes, pois delas nascem os rios, essenciais para a cultura do arroz e também nelas pairam as nuvens, predizendo aos pescadores o bom tempo ou a tempestade. Pode-se fazer uma analogia ao rio Nilo para os egípcios na antiguidade.
Aqui, abordarei dois contos sobre a criação, o primeiro é um conto infantil, e o segundo é o mais importante e mais complexo. O conto infantil trata-se de uma carpa gigante que estava dormindo e quando despertou, bateu com sua cauda tão forte no mar que provocou grandes ondas e o aparecimento das ilhas do Japão.
O segundo conto é o de Izanagi e Izanami. Nos primórdios, existia apenas uma massa oceânica viscosa, desta massa emergiram três divindades que foram morar em uma planície nos céus. Lá produziram várias gerações de deuses, sabe-se muito pouco acerca desta trindade primordial. Uma dessas gerações de deuses foi a dos irmãos Izanagi (Macho que convida) e Izanami (Fêmea que convida). Os dois irmãos desceram da planície dos céus e foram até a massa oceânica viscosa. Izanagi mergulhou na massa sua lança, e ao levantá-la, as gotas que caíram da ponta da lança solidificaram-se, formando-se assim a ilha de Ono-Koro (a que seca sozinha).
Mesmo sendo irmãos, Izanagi e Izanami casaram-se na ilha de Ono-koro e iniciaram sua prole. Além de deuses, também são considerados filhos de Izanagi e Izanami os acidentes geográficos, as outras ilhas japonesas, quedas-d’água, montanhas, árvores, ervas e o vento. O último filho a nascer, depois de todas as ilhas japonesas terem sido criadas e povoadas, foi o deus do fogo, entretanto com o seu nascimento, Izanami adoeceu com febres altíssimas que acabaram matando-o. Izanami foi para o mundo dos mortos, o Yomi, Izanagi também seguiu sua esposa, mesmo a contragosto da mesma. Então Izanami, para castigar o marido de a ter perseguido, escorraçou-o com a ajuda de criaturas que viviam no Yomi. Izanagi consegue escapar de sua esposa e volta para o mundo dos vivos. Contudo Izanami avisa diretamente do inferno que despovoaria o mundo matando mil pessoas por dia, mas Izanagi replicou-lhe que, para cada mil que morressem, mil e quinhentas seriam criadas. Neste mito, o casal, divino estabelece o modelo da Natureza para todos os tempos; e cria, pelo seu divórcio a vida e a morte. Depois de uma purificação em ritual para desaparecer as conseqüências de sua descida ao mundo dos mortos, Izanagi deu origem à deusa do sol, o deus da lua e ao deus das tempestades.
A deusa do sol é chamada de Amaterasu, da qual descende a família imperial do Japão. Amaterasu fica permanentemente sentada de costas para seu irmão, o deus da Lua, no reino celestial. Existem muitos mitos que explicam as relações naturais. O sol e a lua, irmã e irmão, não tem uma vida fácil. Do reino celestial, Amaterasu ilumina o arquipélago japonês. |