Entrevistas
Hoje, 21 de Julho de 2002, acabamos de receber várias fotografias de Luanda. O largo Tomáz Vieira da Cruz foi recuperado e hoje é um lindo espaço da urbe luandina.

Vamos tentar saber algo mais sobre o autor das fotografias:
P - Quando é que foram para Luanda?
R - Foi em Fevereiro. O meu cunhado tem vivido sempre lá. O (fotógrafo) esteve ausente de Angola 1 ano e 2 meses.
P - Voçê já conhecia Luanda antes desta viagem?
R - Bem, o meu marido (aqui Bélita) foi para Angola em Março de 87, directamente de Londres onde trabalhava para uma empresa de petróleos.
P - Então esta foi a primeira vez que se deslocou a Luanda (e Angola)?
R - Não. Foi para Angola em Março de 87. Até lá nunca tinha ido a Angola. Desde Março de 87 que tem estado sempre por lá.
P - Sempre em Luanda ou noutros locais também?
R - Com excepção deste último ano de 2001, em que esteve em Portugal.
R - Sempre em Luanda, ocasionalmente deslocou-se a Benguela, Lobito, Ambriz e Soio, em trabalho.
R - Quando chegou a Luanda, em 87, quais foram as suas primeiras impressões?
P - Não conhecia anteriormente, portanto fiquei só com essa primeira impressão e, algumas coisas via-se que não tinham tido qualquer manutenção. No entanto, o tráfego era 1% do que é hoje.
P- Quais os problemas com que a cidade se debatia me 87?
R - Falta de luz, água e alguma falta de comida. Não havia restaurantes, nem áreas de lazer. Os divertimentos eram o convívio em casa de pessoas.
P - Quais os principais melhoramentes desde então?
R - Neste momento, vê-se mais policiamento, portanto parece haver um pouco mais de segurança. Existem lojas, supermercados, restaurantes, embora os preços sejam exorbitantes e, portanto, só alguns têm acesso a isso.
P - As crianças de rua ainda continuam?
R - Definitivamente!
P - Que zonas da cidade costuma percorrer?
R - Alvalade, Maianga (António Barroso), Avª Serpa Pinto, Mutamba, Marginal, Ilha de Luanda, Mússulo e parte do Porto de Luanda (zona onde trabalho).
P - Desde que se silenciaram as armas, notou-se algum aceleramento na recuperação da urbe de Luanda?
R - Por enquanto, pouco. O Investimento ainda está um pouco retraído.
P - Tirar fotografias em Luanda é complicado?
P - Sim, ainda é. Não como antes de 92 mas, ainda pode ser complicado, principalmente para os estrangeiros.
P - Que complicações se podem encontrar?
R - Já ouvi contar um caso de alguém que tentava tirar fotos e um polícia dizia que ele não tinha autorização para o fazer. Não há uma razão específica mas, se alguém quiser implicar pode sempre ser complicado.
P - Fala-se em motivos de segurança. Será isso?
R - Pois, se se tentar tirar uma foto, por exemplo ao Banco Nacional de Angola é quase certo que aparece alguém. Outras áreas pode-se estar à vontade, principalmente se for num sítio público (tipo esplanadas) com amigos, na praia, etc.
P - Para se sobreviver em Luanda qual o ordenado necessário (em Euros)?
R - Depende de vários factores, se se tem casa (ou pelo menos sítio onde morar), etc, etc. As Nações Unidas fizeram há uns meses atrás uma estimativa de USD 250/dia. Isto, claro para alojamento, alimentação, etc. Luanda, foi na altura considerada a 3ª cidade mais cara do Mundo, atrás de Nova York e Tóquio. (*) note-se que o Euro está quase equivalente ao dolár (50 contitos por dia).
P - Os problemas de abastecimento de àgua estão todos resolvidos (em Luanda)?
R - Não. Nem pensar. Nem água, nem luz. Está muito melhor mas, muito longe das necessidades.
P - É verdade que um garrafão de àgua nos arredores da cidade chega a ser mais caro que um garrafão de vinho?
R - Sim. E mais caro que um litro de gasolina.

Hoje, dia 24 de Janeiro de 2004 (dois anos depois), finalmente recebemos um comentário a esta entrevista. Passo a transcrevê-lo:
Caros amigos!
Com um pouco de tristeza li no link de "Entrevistas" coisas respeitantes à vida em Angola e em Luanda particularmente, não sei quem é a entrevistada nem o entrevistador, mas o que é certo, alguns detalhes que a aludida entrevistada dá não correspondem necessariamente a verdade.
Para dar apenas um exemplo, refiro-me ao preço de um garrafão de água, comparado ao de vinho.
É bem verdade que o custo de vida em Angola ainda é alto para o cidadão comum, mas é muito mentira que o garrafão de vinho custe menos que um garrafão de água.
Tirar fotografias não autorizadas por autoridades de direito não só é proibido em Angola como em outros pontos do mundo. Até mesmo em Portugal acredito isso tem sucedido, embora nunca tenha estado lá.
Quando estive certa vez na Itália (Roma) em trânsito para Moscovo numa excurssão (1987/88), fotografei-me com alguns colegas no Aeriporti di Roma em plana sala de embarque, porém, um carabineiro interceptou-nos e recebeu-nos o respectivo rolo que até continha imagens nossas levadas de Angola. É só um exemplo.
Portanto, penso que podemos falar do que quisermos e como quisermos sobre Angola, Moçambique, Portugal, EUA, Inglaterra, Bélgica ou outra país qualquer, mas façamo-lo dizendo verdades.
Desculpem o reparo mas era necessário, apesar de ser tarde.
Até mais vezes.