| Dentre as varias obras em que se dedicou com zelo e entusiasmo, o padre Henrique Groensmith, nos seus 29 anos de vida missionaria em Saurimo e das quais convém dizer: Louvado seja Deus!, está sem duvidas o belo Templo!, a bela Igreja dedicada à Nossa Senhora de Assunção, actual Sé Catedral da Diocese de Saurimo. Apesar de não encontrarmos dados escritos pelo padre Henrique, que nos permitissem ver as razões que o levaram a erigir esta importante obra, numa altura em que, mesmo com a colonização, continuavam a florir e amadurecer os primeiros frutos cristãos da Evangelização Cristã nestas terras, cremos ser a sua preocupação na missão de evangelização e salvação dos homens, assim como a necessidade de um lugar onde pudesse apascentar com maior dedicação a grande família dos filhos de Deus, as principais razões. O baptismo desta Igreja com o nome de Nossa Senhora de Assunção, é outro dos dados que ajudando-nos a reflectir, nos revela as motivações destas grandes razões, sendo a Assunção de Nossa Senhora o mistério que em se integra também o aspecto da redenção. Foi em finais do ano 1958 e princípios de 1959 em que, depois de reunidas as condições materiais graças aos subsídios da diocese, do Distrito, do Estado e da Diamang, iniciou a construção desta “Casa de Deus”. Apesar de se tratar de uma das primeiras obras construídas na cidade de Saurimo, então Henriques de Carvalho sob tutela do Estado Português representado pelo Governador, comandante Lopes Alves, não houve qualquer objecção ou impedimento à ideia de ser construída. Pelo contrário, tanto o Estado quanto a população impulsionaram e ajudaram, alias, a maior parte de portugueses que habitavam Saurimo, eram cristãos católicos. A erecção desta obra não teve intervenção duma Empresa vocacionada à construção. Tudo quanto sabemos é que esteve à cargo do próprio padre Henrique, auxiliado por três senhores portugueses, amigos seus: Daniel (mestre de obras, pedreiro), Carvalho de Lima e Manuel, sendo um dos dois últimos carpinteiro. Foram estes os que de maneira geral dirigiram pedreiros, carpinteiros, pintores … angolanos, em sua maioria trabalhadores da missão em colaboração de alguns que vinham do Ministério das Obras Públicas. Importa ainda salientar, que alguns leigos, especialmente catequistas (pedreiros, carpinteiros, pintores…); alunos internos, prestavam também, na medida do possível, seu auxilio a obra. Do principal material em uso durante a construção, destacamos as pedras, vindas da pedreira do Tchipupa e Sacombe; a brita, proveniente do Sacombe e rio Chicapa, assim como a madeira, que cortada em diversos pontos da Província, era preparada na Serração dos bairros Muailunga e aldeia da Missão (casa espiritana). Esta Igreja, foi substancialmente construída de blocos, feitos no local pelos trabalhadores, e de tijolos. Construída praticamente no episcopado de D. Manuel Nunes Gabriel, período em que também foi solenemente benzida à 15 de Agosto de 1961 a quando da peregrinação com a Reverenda Imagem de Nossa Senhora – Virgem Peregrina, foram os últimos arranjos feitos, à esta Igreja, no episcopado de D. Pompeu de Sá e Seabra, Bispo que participou na inauguração da mesma, depois do seu termino entre 1963/1964. Dos aspectos que convém ainda realçar durante a construção desta Igreja, isto é, desde o momento do lançamento da primeira pedra à inauguração, sublinhamos o facto de sabermos que não houve algum incidente grave por parte de qualquer trabalhador e que o padre Henrique, de quem o Pe. Américo de Sousa Alves ouviu dizer que “todas as pedras com que havia sido construída a Igreja haviam passado pelas suas mãos”, orava, suplicando sempre pela protecção dos construtores, antes do inicio das actividades. Manifestou-se, no dizer dos que participaram, tanto ao momento do lançamento da primeira pedra, inauguração, quanto aos primeiros dias de celebrações eucarísticas, de maneira especial em meses de Maio e Outubro, uma grande euforia por parte de todos os cristãos, o que esclarece quão significou para este povo cristão o valor desta obra. Se na verdade houve algum homem mais alegre e feliz ao término desta obra, este foi sem duvidas o padre Henrique Groensmith, pois ele a iniciou, trabalhou nela dando o maior dos seus esforços e por fim a terminou. Ontem como hoje, este Templo é mais do que nunca o redil, o Campo de Deus, onde com a graça do Supremo Pastor e amor da Assunta Santíssima Virgem Maria, continuam a nascer e crescer um sem numero de verdadeiros cristãos ou filhos de Deus, que em comunhão com os seus pastores dão louvores a Deus pela manhã e ao anoitecer. Fonte: Pe. Abel Cauoiongo Por: Garcia Pinto/CDI |