POROSIDADE DO SOLO
1.1 Porosidade total (m,n)
É a razão, expressa em porcentagem, entre o volume de vazios (Vv), e o volume total (Vt) da rocha.
1.2. Porosidade eficaz (me, ne)
É a razão, expressa em porcentagem, entre o volume da água gravitacional (Va), e o volume total da rocha (Vt).
1.3. Capacidade específica
Expressa a quantidade de água que é possível de ser utilizada.
Onde:
Vd = volume de água drenada
Vt = volume total da amostra
1.4. Retenção específica
Expressa a quantidade de água que ficou retida na rocha após ser drenada por gravidade.
2. principais rochas porosas
2.1. Areias
As areias são geralmente silicosas, resultado da alteração das rochas ígneas. A concentração da areia detrítica é feita sob a ação de diversos agentes geológicos, envolvendo fatores meteorológicos, transporte, ações mecânicas, etc. Condições excepcionais dão origem a areias vulcânicas e calcáreos coralinos.
Os grãos de areia são mais ou menos arredondados de acordo com os esforços a que foram submetidos e à distância pela qual foram transportados. O arredondamento está , em geral associado em uma relação direta às mais altas porosidades, embora tenha-se que levar em conta o índice de compacidade ou da compactação desta rocha. AS compactação, ou redução de volume de uma rocha devido a carga, é até certo ponto facilitada pela presença de água.
A heterogeneidade dos grãos possui, por sua vez, uma importância considerável na porosidade. Os grãos menores tendem a se concentrar nos espaços intersticiais deixados pelos grãos maiores, diminuindo o índice de vazios.
A porosidade das areias varia muito e os seguintes exemplos são dados como ilustração, não como uma regra geral:
- areias de aluviões fluviais 29 a 39 %;
- areias marinhas 20 a 41 %;
- areias de dunas 34 a 39 %;
Na prática, a porosidade das areias não ultrapassa 40 %.
2.2. Arenitos e quartzitos
A estrutura destas rochas varia de acordo com a sua origem. A modificação de aluviões resulta em arenitos com grãos espaçados, preenchidos totalmente por cimentos; a porosidade destas rochas é aquela do cimento, em geral, bastante fraca. Estes sedimentos que cosnstituem a rocha mãe do arenito podem apresentar grãos justapostos que se tocam por pontos. Se a cimentação foi completa, a porosidade está sob a dominância da porosidade do cimento; no caso contrário , em que não há cimentação total, a porosidade daquela é bastante pronunciada, podendo aproximar-se daquela de areias não cimentadas.
Os quartzitos são formados por grãos onde o tipo de contato é total (tipo côncavo- convexo ou saturado). Deve-se esperar, então, porosidades fracas e correspondentes a poros pequenos.
Valores para porosidade eficaz segundo Schoeller:
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Arenitos |
porosidade máxima = 37 % |
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porosidade mínima = 37 % |
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porosidade média = 0,7 % |
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(79 amostras) |
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Quartzitos |
0,8 % a 0,21 % (duas amostras) |
2.3. Argilas e margas
Os minerais argilosos apresentam dimensões muito reduzidas, cuja ordem de grandeza é micrométrica. A caolinita, por exemplo, apresenta um diâmetro máximo variando entre 0,3 e 4,0 microns, com uma espessura em torno de 0,05a 2,00 microns. A montmorilonita forma massas de 1 micron, que representam lamelas extremamente finas; a ilita forma lamelas comumente hexagonais de 0,1 a 1 micron de diâmetro e 0,003 microns de espessura. A estes minerais deve-se acrescentar os colóides que sempre estão associados às argilas. Os poros são invisíveis mesmo ao microscópio e representam, sem dúvida, espaços lamelados ou lamerares, cujas dimensões são vizinhas daquelas dos minerais.
A porosidade deve estar em torno de 25 a 40 %, entretanto, a abundância de colóides, a possibilidade da água se estabelecer no espaço intermelar e a importância da água de retenção, fazem com que a porosidade total ultrapasse os 100 %.
Nas argilas sedimentares antigas, em razão da compressão exercida pela sedimentação posterior àquela das argilas, a porosidade pode variar entre 25 e 50 %.
A porosidade das margas é mal conhecida. A sua composição mineralógica é bastante diferente daquela das argilas (a marga é uma rocha constituída de proporções aproximadamente equivalentes de argila e de calcáreo). A porosidade das margas, provavelmente, também é bastante elevada.
2.4. Calcáreos
Os calcáreos são rochas às vezes compactas (ou cristalinas), outras vezes são formadas por fragmentos cimentados, podendo assim apresentar diversos tipos de porosidade:
a - porosidade intersticial
b - porosidade de fissuramento
c - porosidade de canal (dissolução)
d - porosidade vacuolar
Os calcáreos com textura equigranular ou granular cristalina (ex: calcáreo litográfico) possuem, em geral, uma porosidade fraca, que resulta de uma microporosidade em cristais de calcita que apresentam-se fraturados. Os mármores, por exemplo, possuem uma porosidade em torno de 1 %.
Calcáreos granulares compactos podem, igualmente, apresentar uma fraca microporosidade.
Coquinas, tufos, calcáreos fossilíferos com foraminíferos, etc., podem apresentar uma porosidade capilar importante associada a uma macroporosidade elevada ( que atinge 66 % no caso de calcáreos lacustres recentes). Deve-se ter em mente a possibilidade de dissolução dos fósseis, que tenderia a aumentar a macroporosidade. O gesso possui uma microporosidade que pode atingir até 50 % do volume da rocha.
A porosidade de fissuramento não é muito elevada; as diaclases são geralmente apartadas entre si, sendo bastante raras em calcáreos de hábito maciço.
Calcáreos estratificados podem apresentar uma porosidade elevada - as juntas podem dividir certas camadas em pequenos paralepípedos, tornando-o praticamente fragmentário.
Segundo Schoeller, temos:
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Calcáreos diversos |
máximo = 36,47 % |
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mínimo = 0,26 % |
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médio = 6,94 % |
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(40 amostras) |
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Tufos |
de 9,0 a 66 % para 22 análises |
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Mármores |
de 0,11 a 0,60 % |
Uma apreciação quantitativa em rochas calcáreas sob técnicas de microscopia, realizada nos Estados Unidos, revelou a existência constante de poros em diversos tipos de calcáreos. A proporção de vazios assim medida revelou que a porosidade variava de até 30 % para certos calcáreos fossilíferos recentes da Flórida até perto de zero para calcáreos litográficos. Valores intermediários forma encontrados para calcáreos coralinos do Siluriano e diversos tipos de dolomitas.
2.5. Xistos e Ardósias
A porosidade é muito fraca nestas rochas, usualmente na ordem de alguns porcento. Esta porosidade está ligada à circulação através de juntas e fissurass e a uma microporosidade intersticial.
2.6. Granitos e outras rochas intrusivas
Nestas rochas, nenhuma porosidade pode ser vista, mesmo com o auxílio de microscópicos. Entretanto, existe uma microporosidade entre os cristais, o que é demonstrado pelo fato de que os minerais, biotita e feldspatos, por exemplo, no caso do granito, podem se alterar ao longo de sua superfície. É mesmo possível a existência de uma porosidade reticular. Os valores são fracos, indicando porosidades usualmente inferiores a 0,5 %.
A porosidade de fissuramento, que não é negligível acrescenta-se a esta porosidade intersticial.
Schoeller, dá os seguintes valores:
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Granito |
mínimo = 0,05 % |
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máximo = 9,32 % |
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médio = 1,14 % |
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(28 amostras) |
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Gabros |
0,84 % |
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Diabásio |
1,01 % |
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Sienito |
0,55 % |
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Diorito |
0,25 % |
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Quartzo - diorito |
0,6 % |
2.7. Rochas extrusivas
A porosidade desta rochas é pequena, mas semdúvida ultrapassa àquela das rochas ígneas de profundidade.
Existe, nesse caso, uma microporosidade semelhante à existente no caso das das rochas graníticas. Além disso, como ocorre no caso dos basaltos, há uma porosidade de fissuramento e uma porosidade vacuolar, que são bastante importantes. Schoeller cita valores de 4,0 a 5,0 % para os basaltos. Valores notavelmente superiores são encontrados em rochas vulcânicas menos comuns, como é o caso das rochas piroclásticas. No Rio Grande do Sul, as rochas piroclásticas do Membro Acampamentovelho e Membro Cerro dos Martins (Eo-Paleozóico) possuem além do fissuramento tectônico normal das rochas do Escudo Sulriograndense, grande quantidade de fraturas côncavas e convexas, provavelmente oriundas de resfriamento; a porosidade total é extremamente desenvolvida.
2.8. Variações de porosidades representativas para materiais sedimentares
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Material |
Porosidade (%) |
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Solos |
50 a 60 |
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Argila |
45 a 55 |
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Silte |
40 a 50 |
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Mistura de areia média a grossa |
35 a 40 |
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Areia uniforme |
30 a 40 |
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Mistura de areia fina a média |
30 a 35 |
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Pedregulho |
30 a 40 |
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Pedregulho e areia |
20 a 35 |
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Arenito |
10 a 20 |
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Folhelho |
1 a 10 |
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Calcáreo |
1 a 10 |
3. Referências Bibliográficas
- Curso de Hidrologia Subterrânea; Autor: José Martins; Editora: IPH - UFRGS.
- Hidrologia de Águas Subterrâneas; Autor: David K. Todd; Editora: Edgar Blüncher LTDA.
- Polígrafos da disciplina de Hidrogeologia do Professor Marcos Leão.