Loriga
Vale de Loriga
Covões de Loriga,na parte superior do vale.
O belíssimo Vale de Loriga teve origem glaciar,tal como o Vale do Zêzere,este situado do lado oposto da Serra da Estrela.O mesmo glaciar,que se situava no planalto superior da serra,dividiu-se e rasgou estes dois vales,e outros vales menores e menos imponentes.
Porém,os dois vales glaciares mais imponentes da Serra da Estrela são diferentes porque as condições geológicas são um pouco diferentes.Do lado de Loriga,o granito era mais compacto e sólido,pelo que os efeitos erosivos do glaciar foram diferentes.
A massa compacta de duro granito dificultou a erosão ao Glaciar de Loriga.
Assim,enquanto do lado de Manteigas o glaciar abriu o característico vale em U aberto,do lado de Loriga o gelo rasgou um vale mais estreito, deixando altos penhascos e encostas escarpadas,um cenário não menos espectacular.Devido a essas características,os menos eruditos acham que o Vale de Loriga não é um vale glaciar,ou pensam que a parte do glaciar que abriu este vale era menor que aquela que abriu o Vale do Zêzere.
Uma imagem da espectacular Garganta de Loriga.
Outra característica do vale são as depressões em socalcos,onde outrora existiram lagoas,e que são conhecidas como covões.A maior dessas depressões teve aproveitamento hidrico considerável,a Barragem de Loriga.Por cima da Barragem de Loriga estão as Pistas de Esqui de Loriga,exactamente na àrea superior do Vale de Loriga,onde o glaciar começou a abri-lo.De referir uma outra depressão chamada Covão da Areia,e que se encontra na espectacular Garganta de Loriga.
Vista da Barragem de Loriga,no Inverno.
A partir da Garganta de Loriga,o glaciar libertou-se,passando a escavar um terreno menos resistente à erosão.O grosso do glaciar abriu aquela parte do vale muito bonita,conhecida por Chão da Ribeira,onde se podem admirar os enormes blocos de granito,arrancados mais acima pelo gelo e depositados ali.Outras partes do glaciar "transbordaram" contornando a Garganta de Loriga,precipitando-se em cascata,criando as espectaculares encostas abruptas que são um exlibris inconfundível da paisagem loricense,tais como a Penha do Gato e a Penha dos Abutres.O glaciar escavou então uma grande bacia,onde esteve depositada uma enorme quantidade de gelo,criando o que é a parte mais ampla do vale,onde está situada a vila.
Uma vista da Garganta de Loriga e de parte das belas encostas que a ladeiam,também moldadas pelo glaciar.
Outra zona bonita do vale: O Chão da Ribeira.
O glaciar começou por escavar a zona mais ampla do vale,para depois,à medida que ia perdendo massa,permitir a acumulação nessa àrea de materiais que foi arrastando.Estes materias foram-se depositando ao sabor da corrente do glaciar e da resistência que foi encontrando pelo caminho.Assim,a parte da colina onde foi fundada Loriga há mais de vinte e seis séculos,toda ela constituída por sedimentos arrastados pelo glaciar,só existe devido ao afloramento granítico localizado onde hoje está o Bairro de S.Ginês (S.Gens).A corrente do glaciar foi "obrigada" a contornar esse afloramento rochoso,criando acumulação de sedimentos a seguir.A erosão do glaciar,entretanto já "moribundo" e das duas linhas de àgua que surgiram,moldaram o vale,onde hoje se encontra a vila,deixando-o com uma aparência próxima da actual.
Uma imagem do Vale de Loriga,mostrando os efeitos do glaciar,incluíndo a colina onde está o centro histórico da vila.
A Estância e Pistas de Esqui de Loriga,situadas na parte superior do Vale de Loriga.
A àrea inferior do Vale de Loriga foi aberta pelos restos do glaciar e pela acção erosiva das àguas.
Uma imagem da parte inferior do Vale de Loriga.
Percorrer o Vale de Loriga,desde o planalto da Torre até Vide,é uma experiência emocionante pela extraordinária beleza.Podem também admirar-se os efeitos erosivos do glaciar,que foram diferentes ao longo do vale.
Nesta foto de Loriga,podem admirar-se por cima da vila,as altas colinas moldadas pelo glaciar,e que são um exlibris inconfundível.