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TRIBUTO A JIMI HENDRIX

"Eu vivi antes dos dias do gelo...
E voltarei para encontrar as estrelas perdidas
e o cheiro de um mundo que se incendiou".
         Jimi Hendrix.

Guitarra:
instrumento musical hipnótico
ligado ao elemento Fogo.
É capaz de alucinar os espíritos,
de provocar êxtases nos corpos dançantes,
alterando as vibrações das nossas mentes
e conduzindo-nos, assim,
à descoberta de coloridos universos sonoros.
Jimi Hendrix:
o regente dos trovões,
o filho da Magia,
foi o músico-xamã que melhor soube aproveitar
as possibilidades elétrico-ritualísticas de uma guitarra
a se desdobrar em sons nascidos
das profundezas mais inquietas da alma.
Jimi coloriu o tempo e o espaço
na companhia da sua "Banda de Ciganos"
e planejava, ainda, pesquisar a forma
como os hindus empregavam os sons musicais
com finalidades terapêuticas.
Descendente de negros e de índios
que fez explodir a sua revolta
em meio a uma sociedade racista e careta
como é a norte-americana
(assim como racistas e caretas são
todas estas anti-sociais sociedades forjadas
pelo grande sonho burgues-capitalista de "ordem e progresso"),
Jimi Hendrix foi, contudo, um gênio anarquista
que soube detonar com as estruturas mofadas
de um sistema artificial e hipócrita
e fez a sua estrela brilhar
no cenário da contracultura hippie.
A sua estrela tragicamente se apagou
mas a sua luz, maravilhosamente,
definitivamente,
ainda nos atinge. 
 

 
JANIS
(Eu dedico este poema a Janis Joplin e a todos aqueles que, um dia, acreditaram
que uma revolução mundial seria possível).

É tão triste ouvir
tanto sentimento disperso, perdido no tempo.
Alguém sonhou por mim, por nós,
por não sei quantos mais,
lançando sobre a Terra inteira
uma semente de Sol.
Foi tão lindo ouvir
a verdade do teu nome tanto tempo depois
porque a arte está além do tempo,
do tempo e do espaço,
arremessando à terra e ao céu
uma mensagem muito real.
Mensagem atual
para outras gerações que estão vindo aqui.
Novos rebeldes estão ligados às ondas
que o teu canto abriu no mar,
mesmo porque uma realidade opressiva
continua a existir.
É tão triste possuir
a consciência da liberdade
sem poder nada mudar.
Levantar as bandeiras do que poderia ser
mas, percebendo que o mundo é tão falso,
pouco podendo fazer.
O vilão tocando
a canção de uma guitarra que calou a voz.
A poesia em teu olhar distante
gritando imagens,
palavras nuas encobertas pelo grande silêncio.
É bonito amar.
Tudo é tão belo e tão necessário
mas poucos compreendem isso.
Resta repetir, bem alto, o toque de Martin Luther King:
"Eles roubaram a nossa liberdade
e nós a queremos de volta".
Não há nada além
da vontade de viver que ainda existe em nós
fazendo nascer
o mesmo que muitos imaginaram quando quiseram cantar
ou escrever poemas em pranto
no espelho radiante das águas.
É verdade, sim:
eu sou apenas um poeta, um sonho da chuva.
Você foi um pouco mais do que nós quando decidiu viver,
deixando a saudade em sombras
no leito do amanhecer.
Fugiu do mundo inteiro.
Não queria ir para a guerra
mas não encontrou a paz.
Paz e amor a gente inventava
mas não deu para segurar
quando os senhores da guerra
mataram as flores do paraíso.
É o fim do sonho.
É o fim de todo um mundo que nem ao menos começou.
O sistema derrotou a utopia
e todos nós perdemos novamente.
Estamos enfiados nas garras do maldito poder.
Janis Joplin, eu agora sei:
a lembrança estacionada na aventura do tempo
conta estórias de uma realidade que nós desejávamos viver.
A beleza seria algo real
se a nossa revolução viesse a acontecer.
Poderia ser
Joan Baez ou Ângela Davis
ou simplesmente você,
mulher, ser humano, ser profundo
como nós poetas, "beatniks", malucos, ciganos,
"drop-outs" da vida.
Escuto a tua voz
em discos antigos dos anos 60
ou do início dos 70, quando você se foi,
deixando o teu estranho nome escrito
em um oceano de estrelas.
Woodstock se foi.
O amor que todos encontraram na liberdade de ser,
quebrando limites, regras, países,
fazendo as cabeças,
e se acabando como o fogo no gelo das montanhas.
Tocando o teu estranho blues,
amargurado, triste, liberto,
eternamente eterno,
na distância do pensamento eu sinto
tua voz nos discos,
tua alma ao vento,
Pérola de luz.
 

RECORDANDO RAUL SEIXAS

Você escolheu
cantar
a beleza de ser o maluco que somos, todos nós,
poetas do caminho
sem lugar para onde ir.
Tentando outra vez, nos rumos da poesia,
fazer viajar a minha cabeça que não aguenta ficar parada,
não saberia dizer se hoje sou estrela, oculta ou iluminada
mas, de uma forma ou de outra, sabemos que estamos distantes
em nossa louca lucidez incontrolável.
Chamado de profeta do Apocalipse
ou simplesmente de roqueiro visionário
na rebeldia de sua causa,
a verdade é que você deu o toque
para toda uma geração de novos malucos-beleza
que sempre irão se formar
enquanto existir
esta liberdade cigana
de se recusar a aceitar as coisas
do jeito que elas são.
Luar, Raul ao contrário,
você caiu, como a mosca na sopa,
no falso paraíso do nosso belo quadro social,
transformando o ?Livro da Lei? do mago inglês
Aleister Crowley
no manifesto anarquista da Sociedade Alternativa.
Por esse motivo, você foi expulso do Brasil,
vindo a conhecer John Lennon no exterior.
E, quando você aqui retornou,
todos cantavam a lendária "Gita".
Você foi a luz de uma estrela
que brilhou como a cor do luar
e, parodiando os dizeres de Krishna a Arjuna
em seu diálogo mítico no livro indiano ?Gita?,
a ?Sagrada Canção?,
podemos dizer que
?Das estrelas nós somos o Sol Radiante.
Das águas profundas nós somos o Grande Oceano?.
Sendo assim, por que deveríamos acreditar agora, oh, cara,
que o sonho deve ter se acabado
se a viagem apenas começou?
Enquanto nós, rebeldes que resistimos por aí,
desejarmos descobrir a vida no segundo e no instante,
sempre haverá lugar para essa metamorfose ambulante
que recusará qualquer obediência àquela velha opinião
que muitos aceitaram como sendo tudo.
Recordando a poesia das Águas Claras,
somos a chuva que cai na terra, trazendo coisas do ar
e queremos que o mundo saiba
que a mensagem das grandes canções não estará perdida.
"Viva a Sociedade Alternativa, Raul!"
Mesmo depois que você pegou carona
com o seu moço do disco voador
e foi morar em uma das tantas estrelas
que existem por aí,
nos diferentes caminhos abertos pela sua música
nós continuamos a encontrar
algum novo lugar.
Mesmo porque,
ao final de mais este poema,
o maluco continua sendo você.
(Boa viagem, Raul. Boa viagem...)
 


NOVO AEON

Sentir, sob a face,
o desenrolar do manto de Estrelas,
o corpo da deusa Nuit.
Desejar profundamente
fazer parte da Dança do Infinito.
Alcançar, além da mente,
o incompreensível do instante,
percebendo-se como Metamorfose Ambulante.
Pois todo Homem e toda Mulher
tem a Forma de uma Estrela de Cinco Pontas.
Mais do que isso,
todo Ser Humano conectado
aos ritmos iniciáticos do Novo Aeon
de Aquário-Leão
pulsa como uma Estrela.
Esta é a Lei do Novo Homem
e a Alegria do Mundo.


LUIZ ALBERTO DE LIMA BOSCATO faz Doutorado em História Social pela Faculdade
de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, com uma tese sobre a vida
e a obra de Raul Seixas.

Luiz Lima é poeta, professor, pesquisador de Magia e ocultismo e lê Tarot
desde 1991 (inclusive o Tarot de Aleister Crowley), tendo já oferecido cursos
apostilados de Tarot.

Contatos pelos e-mails:
 

 
  
 
 
 
 
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