MINEIRA
( Paulo César Pinheiro / João Nogueira )
Clara
Abre o pano do passado
Tira a preta do serrado
Põe Rei Congo no Gongá
Anda
Canta o samba verdadeiro
Faz o que mandou o mineiro
Ô mineira
Samba-que-samba no bole-que-bole
Oi, morena do balaio mole
Oi, se embala no som dos tantãs
Quebra no balacoxê do cavaco
Oi, rebola no balacobaco
Oi, se embola nos balangandãs
Mexe no meio que eu sambo do lado
Oi, bem naquele bamboleado
Oi, de que eu também sou bambambã
Ai, cai no samba cai
Que o samba vai
Até de manhã
Oi, saravá mineira guerreira
Que é filha de Ogum com Iansã
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UM SER DE LUZ
(João Nogueira / Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)
Um dia
Um ser de luz nasceu
Numa cidade do interior
E o menino Deus lhe abençoou
De manto branco ao se batizar
Se transformou num sabiá
Dona dos versos de um trovador
E a rainha do seu lugar
Sua voz então
Ao se espalhar
Corria chão
Cruzava o mar
Levada pelo ar
Onde chegava
Espantava a dor
Com a força do seu cantar
Mas aconteceu um dia
Foi que o menino Deus chamou
E ela foi pra cantar
Para além do luar
Onde moram as estrelas
A gente fica a lembrar
Vendo o céu clarear
Na esperança de vê-la, sabiá
Sabiá
Que falta faz tua alegria
Sem você, meu canto agora é só
Melancolia
Canta, meu sabiá,
Voa, meu sabiá
Adeus, meu sabiá,
Até um dia
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CLARA NUNES
(Aluizio Machado - Ovídio Bessa)
O sol se escondeu
O céu se enuveceu
Se fez um véu de tristeza singular
E o Rio que foi festa em fevereiro
Parou todo um dia inteiro
Tão somente pra chorar
Chorar tristemente por aquela
Que cantou pela Portela
Também a Portela chorou
Vai fazer falta na avenida
Quem viveu cantando a vida
Não morreu, desencantou
Será que Oxalá com seus ciúmes
Quis sentir os seus perfumes
E ouvir o seu cantar
Clara guerreira
Mineira faceira
A que fez Madureira de novo chorar
A morte pra mim não é despedida
Porque a morte é a vida
Que se faz continuar
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'Clara Clareia'
(Zé catimba/Franco/Toninho)
'Ah! Se você voltar
Pro lugar que se chama ficar
Ah! Se pudesse ser
Novamente só nós e você
Há de você voltar
Nosso bem-querer
Longe de Nós
Longe dos teus
Leva tua voz
Longe do adeus
O mar batendo n'areia
Reflete os olhos teus
A chama Clara Clareia
Seja a vontade de Deus
Ogum-Iansã
Ouça nossa voz
Não nos deixe assim tão sós'
* ...encontrei em meus "guardados", a letra de um samba composto em louvor à Clara no Bar e Comestíveis Lacê Ltda, onde se reuniam compositores, diretores de bateria e simpatizantes do G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense, horas após o 'encantamento' de nossa estrela maior.
Este samba foi publicado no Jornal O Dia em 03/04/1983.
Eliane
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Clara Claridade
(Agepê - Romildo - Ney Alberto)
Refrão
Clareia ô, a luz escura da saudade
Clareia ô, clareia, na mais Clara Claridade
Bis
Luz, intensa luz que resplandece
Canto de Amor que mais parece
O próprio amor
Dor que se defaz a cada prece
Prece de Amor que a dor se esquece
Da própria dor
Maravilhosa cor,
Cores dos nossos matizes
Prece das nossas raízes
Maravilhosa flor
Cores dos nossos matizes
Prece das nossas raízes
Maravilhosa flor
Refrão
Seresteira Clareira
Do sol da manhã
Traz Mineira Guerreira
Na paz de Iansã
Vós que tens os sons de todos nós
Maior que os sons, que a prórpia voz
Que todo nosso canto
Canto que canta a força
Que mais cresce
A teia mãe que tudo tece
Para eternizar a eternidade
Sonho que faz o sonho ser possível
Pra toda dor ser compreensível
Pra ser mais Clara Claridade
LP Agepê - Mistura Brasileira – 1984
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Demorô
(Joyce)
"Compus esta canção pensando em Clara Nunes, "a moça de branco na beira do mar", e sua maravilhosa afinidade com os elementos da natureza, aos quais ela parecia falar diretamente."
Raiou
Um dia comprido de muito esperar
Raiou, iluminou
A moça de branco na beira do mar
Brincou
No embalo das ondas até se cansar
Pisou
Na areia da praia pisou devagar
Ventou
O sol se escondeu, fez o tempo mudar
Choveu e ela deixou
A chuva escorrer e o vestido molhar
Chorou
Chorou de tristeza, chorou sem parar
Falou
Contou sua história pro povo escutar
Cantou
A sua cantiga com todo cuidado
Jurou
que o sol escondido era o seu namorado
Eu tava esperando
e o meu bem demorou
Meu bem demorou,
demorou pra chegar
O sol foi voltando
e o mar serenou
Ela então festejou
Salve o povo do mar
CD Joyce e Dori Caymmi Rio-Bahia
Contribuiu : Mônica Hage
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